Saúde Integrativa

Fitoterapia

Fitoterapia em Campinas – Botica da Família

A Organização Mundial de Saúde, em maio de1978, através de uma resolução determinou o inicio de um programa mundial com o fim de avaliar e utilizar os métodos de medicina popular, reconhecendo as plantas medicinais como alternativa medicamentosa no tratamento de doenças.

A Rede Municipal de Saúde do Município de Campinas adotou a prática de medicina à base de plantas medicinais e aromáticas desde 1990, quando o centro de saúde de Joaquim Egídio, localizado em uma área rural, foi usado como projeto piloto foi criado um horto de plantas medicinais, com cerca de 60 espécies, que servia à população local. Atualmente este horto é utilizado somente com função didática. Até o ano de 1993, a Rede Municipal de Saúde do Município de Campinas não tinha a Fitoterapia como programa Municipal.

Neste período, quem possuía um programa era o Departamento de Programas e Projetos da Secretaria Estadual de Saúde, que criou uma Comissão de Fitoterapia, que dentre outras funções definiu quais plantas seriam utilizadas para a produção dos medicamentos. No projeto inicial, algumas plantas foram selecionadas, porém foram descartadas em seguida, após debates e extenso levantamento bibliográfico, como foi o caso da embaúba e do capim limão. Um dos parceiros, o centro de Pesquisas Químicas, biológicas e Agrícolas (CPQBA) da UNICAMP, encarregou-se do fornecimento das plantas, com suporte Agrotecnológico e Fitoquímico necessários para a produção dos extratos em larga escala. O CPQBA desenvolveu, além disto formulações para aquelas plantas cujas formas farmacêuticas eram cremes e xarope, produzindo-as e realizando o controle de qualidade microbiológico. Na versão final do projeto foram empregadas as seguintes plantas: babosa e calêndula (creme), Guaco (xarope), quebra pedra, maracujá e espinheira santa (in natura). Inicialmente houve um repasse de verbas pela secretaria Estadual de Saúde e posteriormente pela Secretaria Municipal de Campinas.

Já naquela época, o fornecimento dos medicamentos só era possível com a apresentação de receita médica, após consulta com médico ou odontologista da rede, que orientavam e prescreviam o uso de fitoterápicos na dose correta. Houve um treinamento de utilização com cerca de sessenta profissionais, médicos e enfermeiros. Em 1995 teve início a distribuição dos medicamentos, porém apenas no distrito Leste. Nesta época foram elaborados também os mementos terapêuticos e protocolos de uso e avaliação, cujo conteúdo incluía orientações gerais, contra-indicações e advertências dentre outras. Em 1998 a Prefeitura optou pela terceirização da produção dos medicamentos através de licitações com farmácias de manipulação particulares. Nesse momento houve uma reavaliação dos protocolos de uso, cujo resultado foi bastante positivo promovendo a ampliação da distribuição para toda rede municipal, bem como a adição de mais três medicamentos.

Em novembro de 2001 o programa foi institucionalizado através da Portaria nº 13, onde houve uma reformulação da Comissão de Fitoterapia do Município, iniciando-se dois projetos com a finalidade de reformular o modelo de produção e distribuição de fitoterápicos, contemplando toda a cadeia produtiva. Taís projetos eram a implantação de viveiro de mudas e plantio, e de uma farmácia de manipulação municipal. Criou-se em 22 de setembro de 2004 uma farmácia de manipulação cujo nome fantasia adotado foi “Botica da Família”, instalando-se no Pólo de Alta Tecnologia de Campinas – CIATEC – com área total de 153,30 m2. A Botica da Família tem em seu quadro funcional 2 farmacêuticos, 4 técnicos, 1 auxiliar de limpeza e sua produção mensal média é de 7000 unidades de medicamentos fitoterápicos.

As formas farmacêuticas que compõe a lista de fitoterápicos da Botica são: creme e gel de Arnica 5% (50g e 250g), creme e gel de babosa 25% (50g e 250g), creme e gel de calêndula 5% (50g e 250g), creme e gel hamamélis 10% (50g e 250g), creme e gel de papaína 10% (50g e 250g), Ginkgo biloba (cápsulas de 40mg e 80mg), hipérico (cápsula 300mg),tintura de arnica (uso externo – 20ml), tintura de calêndula (uso externo – 20ml), xarope de guaco 10% (150ml) e xarope de guaco diet 10% (150ml). Toda matéria-prima e insumos são comprados de fornecedores idôneos.

Em 2007, iniciou-se um projeto para automatização, aumento da área e reforma da Botica da Família, visando a cumprir as normas e exigências RDC N°67/2007 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A produção mensal alcançada foi de cerca de 3470 fórmulas.

Em 2008, foi feito treinamento para os técnicos de farmácia das unidades e a fitoterapia foi um dos assuntos que fez parte deste treinamento. A produção mensal alcançada foi de cerca de  fórmulas 5330 fórmulas.

Em 2009, iniciou-se a preparação para a reforma já planejada, sendo a farmácia transferida para a PUC, continuando a produzir os medicamentos. A produção mensal alcançada foi de cerca de fórmulas 5330 fórmulas.

Em 2010 e 2011, a farmácia retorna ao local de origem, após a reforma, continuando a produção de alguns medicamentos, devido à problemas com a falta de matérias-primas.

Em 2012, a farmácia ainda enfrenta dificuldades, mas continua produzindo e servindo como referência de sucesso terapêutico no que diz respeito à práticas integrativas. Visto que foi matéria de reportagem (Globo Repórter) em fevereiro de 2012. Entretanto ficou fechada por quase dois anos, devido à problemas de ordem sanitária.

Em 2013, realizou-se capacitação de fitoterapia para prescritores (médicos, enfermeiros, dentistas), visando a atualizar conhecimentos sobre a mesma e apresentar a farmácia bem como o programa de prática integrativa  aos profissionais novos.

Em 2014, recebe a licença de funcionamento para retornar às suas atividades, estando adequada para a produção de medicamentos garantidos pela segurança e eficácia, com o objetivo de atender à toda rede básica.

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