Área de Assistência à Saúde Mental

REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL – ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS – CAMPINAS - SP

Desde a década de 1990, este município tem sido tratado como referência nacional da Reforma Psiquiátrica Brasileira, por seu pioneirismo no processo de implantação e implementação das Políticas de Saúde Mental, seguindo princípios do Ministério da Saúde, das Conferências Nacionais, Estaduais e Municipais de Saúde e Saúde Mental, da Organização Mundial de Saúde e de Movimentos Internacionais e Nacionais envolvidos na defesa dos direitos humanos de pessoas acometidas por transtornos mentais, ressaltando-se, como marcos históricos, a Declaração de Caracas de 1990 (que marca o respeito pelos direitos das pessoas com doenças mentais e a importância dos cuidados na comunidade, nos países da América Latina e Caribe) e a Lei n° 10.216 de 06 de abril de 2001 (que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental).

 

Considerações Gerais acerca da Política Nacional de Saúde, Saúde Mental, Álcool e outras Drogas:

A atual Política Nacional de Saúde preconiza a organização de Redes Regionalizadas de Atenção à Saúde, nas quais a Atenção Primária passa a assumir o papel de centro comunicador da rede, tendo como objetivo central a integração sistêmica de serviços e ações de saúde que possam prover a atenção integral a indivíduos, grupos e populações. (Portaria 4279/MS de 2010).

A Política Nacional de Saúde Mental, na mesma linha, também objetiva a construção de Redes de Atenção à Saúde Mental, com serviços territorializados, de base comunitária e substitutivos ao modelo asilar de atenção, como: Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Psiquiátricas em Hospitais Gerais, Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), Centros de Convivência, Programas de Geração de Renda, Equipes de Saúde Mental em Unidades Básicas de Saúde, Integração com Equipes de Saúde da Família, dentre outros.

Quanto às questões relativas ao enfrentamento do uso de álcool, crack e outras drogas, dado o significativo agravamento desta demanda e, considerando a complexidade e magnitude destas questões, a atual Política Nacional sobre Drogas conclama a união de esforços intersetoriais e a articulação permanente entre ações de Saúde, Assistência Social, Segurança Pública, Educação, Desporto, Cultura, Direitos Humanos, Juventude e outras, à luz da Política Nacional sobre Drogas, assim como a participação de toda a sociedade civil.

Com base na Resolução nº3/GSIPR/CH/CONAD de 27 de outubro de 2005, na Lei n° 11.343 de 23 de agosto de 2006 e no Decreto nº 7.179 de 20 de maio de 2010-Presidência da República, a atual Política Nacional sobre Drogas visa, em linhas gerais:

      Desenvolver, em todos os âmbitos, programas para prevenção do uso, tratamento, reinserção social, redução de danos, redução da oferta, estudos, pesquisas, capacitação de recursos humanos e desenvolvimento de metodologias diversas, combate ao tráfico, à corrupção e à lavagem de dinheiro.

      Ampliar acesso a saúde, trabalho, educação, bens culturais, e investir em qualidade de vida.

      Integrar as áreas de Saúde, Assistência Social, Educação, Comunicação, Segurança Pública, Poder Judiciário, Trabalho, Cultura, Desporto, Planejamento.

      Garantir o respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente quanto à sua autonomia e à sua liberdade.

      Promover ampla participação social visando a consensos nacionais, para o estabelecimento dos fundamentos e estratégias do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD)

Assim sendo, o enfrentamento dessa questão exige a união de esforços dos diferentes setores envolvidos e a destinação de investimentos para projetos integrados, nos âmbitos municipal, estadual e federal.

Esse processo de construção intersetorial, no entanto, exige um investimento cotidiano em novas formas de organização dos processos de trabalho e dinâmicas institucionais, visando à superação dos obstáculos da fragmentação e setorização que estruturaram historicamente nossas instituições sociais. Um desafio que toca a todos os envolvidos na necessidade de transformação das antigas lógicas institucionais, que vem abordando questões complexas e multifatoriais de modo linear e setorizado.

Nesta perspectiva, tem nos preocupado a expectativa de alguns setores da sociedade que, ao invés de alimentar a discussão de estratégias integradas e complexas para o enfrentamento do uso de álcool, crack e outras drogas, vêm alimentando a expectativa de atribuir ao setor saúde, quase que isoladamente, a responsabilidade sobre a solução do problema ou, ainda, a expectativa de que abordagens imediatistas e repressivas no âmbito da saúde, como a internação e/ou internação compulsória, por exemplo, possam dar conta de tal demanda. Ressaltamos que a internação, como estratégia de proteção, cuidado e tratamento, deve ser compreendida como parte integrante de uma rede de cuidados e não como solução isolada do problema, pois ela, por si só, não garante a efetividade, nem a continuidade de todas as ações que envolvem o tratamento e a reabilitação psicossocial. É importante garantir a continuidade de uma linha de cuidados, que possa atender às diferentes necessidades dessa população, assim como a garantia de uma rede social de apoio relacionada a programas de trabalho, educação, moradia, cultura, etc.

Particularmente com relação à internação compulsória, além do que está previsto na Lei 10.216/01 e apontado na Lei n° 11.343 de 23 de agosto de 2006, há que se considerar a amplitude e a tensão das discussões que vem sendo desenvolvidas por diferentes setores da sociedade civil, por representações de diferentes classes profissionais e nas Conferências Nacionais de Saúde e Saúde Mental, dadas as implicações éticas, técnicas, jurídicas e políticas que envolvem o tema.

Na lógica da Rede de Atenção à Saúde, a Coordenação Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, em Reunião do Colegiado Nacional de Coordenadores de Saúde Mentais em agosto/2011, apresentou a definição de cinco eixos estratégicos para a implementação da Rede de Atenção aos usuários de álcool e outras drogas, a saber:

      Ampliação do acesso à Rede de Atenção Integral de Saúde aos usuários de álcool, crack e outras drogas

      Qualificação da Rede de Atenção Integral de Saúde

      Ações Intersetoriais para Reinserção Social e Reabilitação

      Ações de Prevenção e de Redução de Danos

      Operacionalização da rede

O desenvolvimento desses eixos sustenta-se nas seguintes diretrizes:

      Fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial, qualificação do cuidado e garantia de acesso aos usuários

      Garantia da condição do sujeito de direitos

      Constituição sistêmica de conexões e diálogos entre os serviços e com a sociedade, visando a construção de redes

      Abordagens territoriais

      Fortalecimento da Atenção Básica e maior integração com a Saúde Mental

      Qualificação da atenção a crianças e adolescentes e expansão  da rede de CAPSi (infanto-juvenil)

      Expansão da rede de CAPSad e CAPSad III (24 horas)

      Implantação de Consultórios de Rua e Casas de Acolhimento Transitório

      Fortalecimento da rede já existente: emergências (PS, PA, SAMU); leitos ou enfermarias de psiquiatria em hospital geral; CAPS de todas as modalidades:  AD, I, III;  acompanhamento no território

      Desenvolvimento de programas eficazes de trabalho e renda, conjuntamente com o setor de economia solidária.

      Implementação de Serviços Residenciais Terapêuticos, moradias e desenvolvimento de novos projetos de moradias transitórias, ampliando a questão para o setor de habitação e assistência social. 

 

A Rede de Atenção à Saúde Mental, Álcool e outras Drogas no Município de Campinas

Alinhada aos princípios da Política Nacional de Saúde Mental, atualmente a Rede Municipal de Atenção à Saúde Mental de Campinas conta com os seguintes equipamentos e dispositivos:

      06 Centros de Atenção Psicossocial III (CAPS III)

      02 Centros de Atenção Psicossocial Ad (CAPS-Alcool e Drogas) estando um deles em processo de ampliação para CAPSad III-24 horas e mais 01 em processo de implantação

      02 Centros de Atenção Psicossocial Infantil-juvenil – (CAPS i)

      12 Centros de Convivência

      Oficinas e Núcleos de Geração de Renda

      05 Pronto-Atendimentos

      Leitos de internação psiquiátrica em Hospital Geral – CHOV (15 leitos adulto, criança e adolescente)

      Unidade de Internação em Saúde Mental (40 leitos internação Saúde Mental + 10 leitos Álcool e Drogas + 10 leitos noite Álcool e Drogas + 6 leitos retaguarda 72 horas + 06 leitos clínicos)

      Serviços Residenciais Terapêuticos

      Casa de Acolhimento Transitório, em implantação

      Consultório de Rua, em implantação

      Escola de Redução de Danos

      Equipes de saúde mental em unidades básicas de saúde

Com exceção dos CAPS III, os demais serviços da Rede de Saúde Mental podem ser utilizados por usuários de álcool e drogas.  Para facilitar a visualização, destacamos dessa rede, o que podemos considerar como “Rede de Atenção à Saúde Mental de Usuários de Álcool, Crack e outras Drogas” do Município de Campinas:

      01 CAPSad II (Centro de Atenção Psicossocial-Ad)

      01 CAPSad II em transformação para CAPSad III com funcionamento 24 horas

      01 CAPSad II em processo de implantação, com previsão de inauguração breve

      02 CAPSi (Centros de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil)

      Leitos de internação psiquiátrica em Hospital Geral

      Unidade de Internação em Saúde Mental

      Centros de Convivência

      Oficinas e Núcleos de Geração de Renda

      01 Casa de Acolhimento Transitório, com previsão de inauguração breve

      Consultório de Rua, com previsão de inauguração breve

      Escola de Redução de Danos

      Equipes de saúde mental em unidades básicas de saúde

Esta rede desenvolve ações em parceria com outras áreas da Saúde e com a Assistência Social, a saber:

      Saúde: Urgência e Emergência (SAMU, Pronto Atendimentos e Pronto Socorros), Atenção Básica.

      Assistência Social: SOS Morador de Rua, Casas de Passagem, Abrigos.                                                             

Para melhor compreensão dessa Rede de Atenção à Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, apresentamos a especificação de cada equipamento ou serviço, segundo portarias do Ministério da Saúde, assim como uma projeção da média mensal de atendimentos nos referidos serviços:

1.    CAPS i (Centros de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil)

        Portaria n.º 336/GM de 19 de fevereiro de 2002

Serviços de saúde mental comunitários do Sistema Único de Saúde, destinados a prestar acompanhamento, por equipe interdisciplinar, a crianças, adolescentes e suas famílias, que apresentem sofrimento psíquico relacionados a transtornos mentais graves e persistentes, inclusive transtornos relacionados ao uso ou abuso de álcool ou outras drogas. Oferecem atenção diária e trabalham integrados às equipes das Unidades Básicas de Saúde de suas regiões. Realizam apoio matricial contribuindo para o acompanhamento do desenvolvimento integral das crianças e adolescentes,  ampliando as ações em saúde para além da medicalização do sofrimento psíquico. Realizam ações nos territórios e contam com o apoio da ação de redutores de danos, assim como da Assistência Social. Para momentos em que os usuários necessitem de tratamento intensivo, contam com retaguarda hospitalar geral e especializada da rede municipal. Buscam a construção de redes intersetoriais, territoriais e municipais.

Crianças e Adolescentes atendidas em CAPsi – projeção mensal

CAPSi Espaço Criativo – regiões Sul e Sudoeste de Campinas

154

CAPSi CEVI – regiões Leste, Noroeste e Norte de Campinas

126

TOTAL

280

 

2.    CAPSad – Centro de Atenção Psicossocial- álcool e drogas

        Portaria n.º  336/GM de 19 de fevereiro de 2002  (CAPSad II)

        Portaria n.º  2.841/GM de 20 de setembro de 2010 (CAPSad III)

Serviços de saúde mental comunitários do Sistema Único de Saúde, destinados a prestar acompanhamento, por equipe interdisciplinar, a pessoas com transtornos decorrentes do uso abusivo e da dependência de álcool e outras drogas. Oferecem atenção diária e trabalham integrados às equipes dos Centros de Saúde de suas regiões. Realizam apoio matricial contribuindo para a responsabilização de toda a rede no enfrentamento ao uso de álcool e outras drogas e ampliando a atenção em saúde para além da medicalização do sofrimento psíquico. Além de orientarem as suas ações pelo paradigma da redução de danos, realizam ações no território protagonizadas principalmente pelos redutores de danos. Contam com retaguarda hospitalar geral e especializada na rede do município para os momentos em que os usuários necessitam e demandam espontaneamente tratamento intensivo. Como serviços comunitários estão comprometidos com a construção de redes intersetoriais, territoriais e municipais, visando combater a estigmatização dos usuários de álcool, crack e outras drogas.

CAPSad II: funcionamento de segunda a sexta-feira no período diurno

CAPSad III: destinado a proporcionar atenção integral e contínua a pessoas com transtornos decorrentes do uso abusivo e da dependência de álcool e outras drogas, com funcionamento durante as 24 horas do dia, inclusive nos feriados e finais de semana.

Usuários atendidos em CAPSad II – projeção mensal

CAPSad Reviver  - Regiões Leste, Noroeste,  Norte

410

CAPSad Independência – Regiões Sul e Sudoeste

244

TOTAL

654

OBS: Foi inaugurado recentemente um CAPSad na Região Noroeste/Sudoeste (CAPSad II Antonio Orlando) e é prevista a ampliação do CAPSad Reviver para CAPS III-24 horas, com oferta de 8 leitos.

 

3.    Leitos em Hospital Geral

        Portaria nº 2.842, de 20 de setembro 2010/MS

Os leitos de internação em enfermaria de psiquiatria em hospitais gerais visam à integralidade da atenção e fomentam a superação do hospital especializado e a institucionalização. Essa estratégia assistencial contribui para quebrar o preconceito e o estigma contra o usuário de álcool e outras drogas. Objetiva:

      Dar suporte à demanda assistencial caracterizada por situações de urgência/emergência decorrentes do consumo ou abstinência de álcool e/ou outras drogas, advindas da rede dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas - CAPSad, da rede básica de cuidados em saúde (Programa Saúde da Família e Unidades Básicas de Saúde) e de serviços ambulatoriais especializados e não especializados;

      Oferecer suporte hospitalar, por meio de internações de curta duração, para usuários de álcool e/ou outras drogas, em situações assistenciais para as quais os recursos extra-hospitalares disponíveis não tenham obtido a devida resolutividade, ou ainda em casos de necessidade imediata de intervenção em ambiente hospitalar, respeitadas as determinações da Lei Nº 10.216 de 2001, e buscando acolher os pacientes em regime de curtíssima ou curta permanência;

      Oferecer abordagem, suporte e encaminhamento adequado para a rede hospitalar de suporte aos usuários que, mediante avaliação geral, evidenciarem indicativos de ocorrência de comorbidades de ordem clínica e/ou psíquica;

      Evitar a internação de usuários de álcool e outras drogas em hospitais psiquiátricos;

      Funcionar em regime integral, durante 24 horas diárias, nos sete dias da semana, sem interrupção da continuidade entre os turnos.

Atualmente Campinas conta com leitos no Complexo Hospitalar Ouro Verde e UNICAMP.

Indicadores em acompanhamento da Enfermaria de Psiquiatria do Complexo Hospitalar Ouro Verde

 

nov/10

dez/10

jan/11

fev/11

Taxa de Ocupação

0,89

0,9

0,89

0,88

Média de Permanência

13,4

12,9

11,6

13,1

Número  Interconsultas

23

26

26

28

Taxa adesão pós alta

0,67

0,68

0,76

0,75

Contenções Mecânicas

12

11

8

7

Produção Internações

21

19

21

19

 

4.    Unidade de Internação em Saúde Mental :

O Núcleo de Retaguarda do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira conta com 10 leitos de internação integral e 10 leitos de retaguarda exclusivamente noturna para os CAPS-AD. Todos os leitos são regulados pela central municipal de vagas.

Uso de leito  /  internações – projeção mensal

Internação

 

Leito noite

Usuários

Média permanência

Taxa de ocupação

 

Usuários

Média permanência

Taxa de ocupação

15

20,07 dias

100,33%

 

46

2,65 dias

40,67%

Núcleo de Retaguarda- Serviço de Saúde “Dr. Cândido Ferreira”

O Núcleo de Retaguarda é um dispositivo de cuidados em Saúde Mental, que tem como missão promover cuidado intensivo, qualificado e especializado em Saúde Mental para pessoas que necessitem de internação temporária, compartilhando e articulando ações na rede SUS/Campinas em consonância com os princípios da Reforma Psiquiátrica, constituindo também campo de formação em Saúde Mental.

A equipe do Núcleo de Retaguarda atende usuários com transtornos mentais graves, pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas e moradores dos Serviços Residenciais Terapêuticos  que necessitem de suporte clínico pontual.

O funcionamento é 24horas e os leitos são regulados pela Central de Vagas do Município, constituindo-se:

1.    para pessoas com transtornos mentais graves: 40 leitos de internação (15 Fem/ 25 Masc); 06 leitos 72hs (02 Fem/04Masc);

2.    para pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas: 10 leitos ( 02 Fem/08Masc) de internação e 10 leitos de retaguarda noturna.

3.    retaguarda clínica: 06 leitos

O Núcleo de Retaguarda compõe a rede de Saúde Mental, compartilhando do paradigma da reabilitação psicossocial, constituindo-se como parceiro dos serviços e visando a qualificação da assistência do usuário em Saúde Mental.

Endereço: Rua Antonio Prado nº 340 - Sousas - Campinas - SP

Telefone: (19) 3758-8610

 

5.    Escola de Redutores de Danos

A redução de danos, como estratégia de saúde pública e da política intersetorial sobre drogas, está amparada na Lei 11.343, de 23 de agosto de 2006, arts. 19,VI, 20 e 22, III. 

As Escolas de Redutores de Danos surgem como proposta de dispositivos do SUS, no âmbito do Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e Outras Drogas (PEAD 2009-2010) em novembro de 2009 e nos termos da Portaria GM 1.059/2005, sendo ampliadas e potencializadas com recursos financeiros do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack (Decreto n. 7179, de 20 de maio de 2010), por meio da II Chamada para Seleção de Projetos de Escolas de Redutores de Danos do SUS e de estratégias de indução direta para Ações de Redução de Danos previstas nos termos da Portaria GM 1.059/2005.

A Escola de Redutores de Danos do SUS é um projeto de fomento e qualificação das ações de redução de danos municipais e intermunicipais, voltado para a capacitação teórica e prática de segmentos profissionais e populacionais da comunidade, na forma de treinamento em serviço, para atuação em ambiente de consumo de álcool e outras drogas e de convívio com a população usuária, especialmente em contexto de vulnerabilidade.

Suas principais ações são voltadas ao trabalho de campo em territórios de alta vulnerabilidade de consumo de drogas, com usuários que já apresentam danos causados pelas substâncias psicoativas, distribuição de insumos e criação de vínculo para entrada na rede de saúde.

Em Campinas, este projeto é desenvolvido em parceria com a UNICAMP, para investigação das práticas de redução de danos voltadas para usuários de álcool e outras drogas, através da contratação de duas equipes de 03 redutores de danos, que se integram às equipes dos CAPS ad. 

Média mensal do trabalho de campo dos redutores de danos

Número de campos

Número de usuários acessados

09

309

Campos: Boa Vista/Parque Via Norte - Antiga Rodoviária - Terminal Central/Fepasa/Catedral - Terminal Mercado/Sumaré - VLT/Vila Rica - Ouro Verde/DIC 3 -  Paranapanema/Proença – Itatinga - Costa e Silva.

 

6.    Oficinas e Núcleos de Geração de Renda:

Os núcleos de trabalho e oficinas de geração de renda contribuem para a reabilitação psicossocial de pessoas com transtornos mentais, oferecendo estratégias de inserção, crescimento e mobilidade social, a partir da transformação de suas competências em fontes de renda.

Atualmente Campinas conta com o Núcleo de Oficinas de Trabalho do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira e com a Casa das Oficinas na Região Noroeste, que oferecem as seguintes oficinas: agrícola, jardinagem, limpeza ambiental, construção civil, ladrilho hidráulico, manutenção e higiene, mosaico, bonecos de papel, bijuteria, costura, reciclagem de papel, marcenaria, decoupage, serralheria, velas, gráfica, vitral.

A média mensal de usuários inseridos nas oficinas pode ser observada ma tabela abaixo.

TOTAL DE USUÁRIOS INSERIDOS NAS OFICINAS

PORCENTAGEM DE USUÁRIOS DE ÁLCOOL E DROGAS

PORCENTAGEM DE USUÁRIOS COM OUTROS TRANSTORNOS MENTAIS

308

30%

70%

 

7.    Centros de Convivência

São dispositivos comunitários que compõem a rede de atenção substitutiva de saúde mental, que convida os usuários dos serviços de saúde e a comunidade em geral a vivências de laços sociais e afetivos. Destinados a toda a comunidade, incluindo diversas faixas etárias, com especial atenção a populações com vulnerabilidades diversas. Objetivam o desenvolvimento de espaços de convivência nos territórios capazes de operar no fortalecimento de vínculos solidários, através de práticas que promovam cultura, educação, saúde e lazer. Atualmente Campinas conta com 12 Centros de Convivência, distribuídos nas diferentes Regiões de Saúde do Município.

 

8.    Casa de Acolhimento Transitório

        Edital nº 003/2010/GSIPR/SENAD/MS

Destinada ao abrigamento temporário, acolhimento e proteção social, em espaços da saúde, no contexto de um Projeto Terapêutico Individualizado desenvolvido em Centros de Atenção Psicossocial, em articulação com a atenção básica e com dispositivos intersetoriais (saúde, assistência social, direitos humanos, justiça, educação, e outros). Destinado à população usuária de crack e outras drogas em situação de extrema vulnerabilidade e riscos, vinculadas aos serviços de saúde, com projetos terapêuticos definidos e acompanhados pelos CAPSad de referência.

            Há previsão de inauguração breve de uma Casa de Acolhimento Transitório, vinculada ao CAPSad Independência, na região  Sul de Campinas.

 

9.    Consultório de Rua 

        Portaria nº 1.059/GM de 04 de julho de 2005

Os consultórios de rua levam equipes multiprofissionais de saúde (profissionais de saúde mental e de redução de danos, assistentes sociais, auxiliares de enfermagem e assistentes sociais) até os locais onde os usuários de drogas se reúnem. Lá, oferecem cuidados básicos e orientações sobre tratamentos, criam vínculos de confiança e tentam buscar adesão desses usuários ao tratamento no sistema de saúde. Destinado a crianças, adolescentes e adultos em situação de alta vulnerabilidade, vivendo em condições precárias na rua ou em comunidades empobrecidas. Composto por uma equipe volante, constituída por profissionais da saúde mental, da atenção básica, e pelo menos um profissional da área de assistência social. Sendo estes: médico, enfermeiro, assistente social, psicólogo, outros profissionais de nível superior, redutores de danos, técnicos de enfermagem, educadores sociais e outros de acordo com o Projeto do Consultório de Rua.

O Consultório na Rua é um equipamento da saúde que oferece ações de promoção, prevenção e cuidados no território (rua) para usuários em situação de vulnerabilidade, principalmente pelo consumo abusivo de álcool e outras drogas.

O Consultório na Rua tem como diretriz a redução de danos e prioriza o acesso ao tratamento de qualidade no local, na perspectiva da integralidade, do trabalho em rede, construindo pontes para outros equipamentos do município, fomentando um trabalho de abrangência intersetorial.

A equipe do Consultório na Rua é composta por coordenador, médico, enfermeira, técnico de enfermagem, redutor de danos, psicólogo e assistente social, garantindo um acolhimento a demandas encontradas nesta população de forma multidisciplinar.

Inicialmente o Consultório está atuando na região central do município de Campinas em horários alternados, de acordo com a necessidade do usuário.

 

Considerações Finais:

A Secretaria de Saúde do Município de Campinas vem desenvolvendo ações para ampliação do acesso, fortalecimento e ampliação da rede de serviços, qualificação dos profissionais, articulação intra e intersetorial e promoção da saúde, dos direitos e do enfrentamento do estigma que marca essa população. Esta Secretaria não tem se isentado de sua responsabilidade no enfrentamento do drama social que vêm assolando o país com a disseminação epidêmica do uso de álcool, crack e outras drogas. No entanto, sabemos que a produção social dessa demanda tem ocorrido em ritmo mais acelerado que nossas possibilidades de intervenção. Estas possibilidades, por sua vez, encontram-se estreitamente interligadas a todos os aspectos que constituem não apenas nossa realidade social, mas, principalmente nossa realidade institucional, nas diferentes instâncias municipal, estadual e federal, para o enfrentamento dos desafios relativos à implantação do SUS neste país. Some-se a isso, ainda, os limites e deficiências das outras redes de prevenção, cuidado e enfrentamento do uso e abuso de drogas, além do setor saúde.

Assim sendo, reafirmamos que a soma de esforços intersetoriais se faz necessária e urgente para enfrentamento desse problema de altíssima complexidade.

 

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Coordenação de Saúde Mental
Secretaria Municipal de Saúde de Campinas

Atualização - Janeiro/2013